As doutas palavras lusas
ousaram novo épico cantar:
teria engenho e arte a poetisa
para a tanto se abalançar?
Num claro dia de abril, ao amanhecer,
com velas desfraldadas no pensamento,
tomou folhas brancas — não papiros —
e escreveu com firme alento.
Quem era ela para assim ousar,
Camões, tão grande poeta, evocar?
Mas o mesmo amor à pátria lusa
nos seus versos ousava pulsar.
Abril surgira há mais de cinquenta anos,
trouxera liberdade e fraternidade;
hoje tremem as bases do feito -
para onde foi a igualdade?
Queria o regresso a um passado
de cravo na mão e sorrisos abertos;
mas o mundo virou-se do avesso,
até nos caminhos mais certos.
Liberdade? — com povos em guerra,
bandeiras que já não se entendem,
credos trocados no vento
e juramentos que se perdem.
Regressa, Abril de setenta e quatro,
traz contigo os cravos e os capitães;
recorda a este povo português
o valor de dias tão sãos.
Faz jus à tua memória,
mostra que Abril é capaz;
não quer guerra nem fome —
quer apenas justiça e paz.
Maria Teresa Portal Oliveira
(reservados direitos autorais)
Dia Mundial do Café

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A ALQUIMIA DAS PALAVRAS

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