As Doutas Palavras Lusas

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sábado, 25 de abril de 2026

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As doutas palavras lusas

ousaram novo épico cantar:

teria engenho e arte a poetisa

para a tanto se abalançar?

Num claro dia de abril, ao amanhecer,

com velas desfraldadas no pensamento,

tomou folhas brancas — não papiros —

e escreveu com firme alento.

Quem era ela para assim ousar,

Camões, tão grande poeta, evocar?

Mas o mesmo amor à pátria lusa

nos seus versos ousava pulsar.

Abril surgira há mais de cinquenta anos,

trouxera liberdade e fraternidade;

hoje tremem as bases do feito -

para onde foi a igualdade?

Queria o regresso a um passado

de cravo na mão e sorrisos abertos;

mas o mundo virou-se do avesso,

até nos caminhos mais certos.

Liberdade? — com povos em guerra,

bandeiras que já não se entendem,

credos trocados no vento

e juramentos que se perdem.

Regressa, Abril de setenta e quatro,

traz contigo os cravos e os capitães;

recorda a este povo português

o valor de dias tão sãos.

Faz jus à tua memória,

mostra que Abril é capaz;

não quer guerra nem fome —

quer apenas justiça e paz.

Maria Teresa Portal Oliveira

(reservados direitos autorais)

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