Nesta foto do jogo, sem óculos, já se veem as rugas.
As rugas são as estradas da vida. Quantas faltarão calcorrear? Ninguém sabe.
E, hoje, inesperadamente, enfrentei a morte, mais uma vez.
Cada linha marcada no rosto é um caminho percorrido pelo tempo, um percurso desenhado pelo lento passar dos dias, pelas escolhas feitas e pelos acasos que enfrentamos. Não surgem de um momento para o outro; nascem lentamente, como os rios e os riachos que abrem caminhos na terra, nos calhaus, nas veredas e contam histórias sem palavras.
Estas marcas indeléveis marcam muito mais do que a passagem dos anos. Falam de sofrimentos passados em silêncio, de perdas que deixaram cicatrizes visíveis ou invisíveis,de dores tão profundamente sentidas que nunca tiveram nome. São testemunhas discretas das noites de inquietação, das preocupações carregadas, das insónias, dos desafios vencidos, sabe Deus com quanto sacrifício.
Mas as rugas pertencem também ao riso. Muitas delas nasceram de sorrisos repetidos, de gargalhadas partilhadas, de momentos de ternura e afeto. Há ruas abertas pela alegria, avenidas construídas pelo amor e pequenos atalhos desenhados por momentos de verdadeiro encantamento.
E, como no dizer dos meus ex-alunos, eu era uma professora risonha, deveria ter muitas mais talvez.
Olhar um rosto enrugado é contemplar um mapa único, onde cada traço guarda uma memória.
As rugas são a escrita do tempo sobre a pele, uma narrativa silenciosa que revela não apenas a idade, mas também a profundidade.
Preso Por Ter Cão, Preso Por Não Ter

Maria Teresa Portal Oliveira
A ALQUIMIA DAS PALAVRAS

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