Balada de Neve

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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

sexta-feira, 14 de agosto de 2026


Batem leve, levemente,

como quem chama por mim.

Fui ver, não era ninguém,

nos canteiros do jardim.

Será chuva? Será gente?

O vento sopra ligeiro,

a gente não acordou.

Olho o céu plúmbeo.

Olha-me resmungão

e lança o primeiro trovão.

É talvez a ventania,

mas ainda há bocadinho,

havia tanta calmaria,

na poeira do caminho.

Quem bate assim, levemente?

Com tão teimosa provocação,

quer a minha atenção.

Fui ver. A neve caía

do céu ora branco e reluzente,

e a gente quando passa,

cada passo imprime e traça,

na fofa camada do caminho.

Olho atenta esses sinais

e noto, por entre os mais,

Os traços mal definidos

duns pezitos de criança.

E descalçadinhos, gelados…

Posso ainda adivinhá-los,

primeiro, bem demarcados,

depois, começam a desaparecer,

pois a neve não os deixa ver.

Por onde andaria o pequenito

para padecer já este conflito,

de uns todos terem

e dos outros padecerem

de fome e de tanta dor?

Porque padecem assim?

E uma infinita tristeza

encheu o meu coração

Entra em mim,

fica em mim presa.

Cai neve na natureza.

Só me resta a oração.

Fazei, Senhor, que as criancinhas

sejam sempre acarinhadas.

São puras e pequeninas,

não as deixes maltratadas.

Põe o Homem a sofrer

a ver se juízo ganha,

para o planeta defender.

Que proteja cada borboleta,

dando asas a uma meta.

É o sopro de um voo que alerta.

Maria Teresa Portal Oliveira

(reservados direitos autorais)

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