Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Fui ver, não era ninguém,
nos canteiros do jardim.
Será chuva? Será gente?
O vento sopra ligeiro,
a gente não acordou.
Olho o céu plúmbeo.
Olha-me resmungão
e lança o primeiro trovão.
É talvez a ventania,
mas ainda há bocadinho,
havia tanta calmaria,
na poeira do caminho.
Quem bate assim, levemente?
Com tão teimosa provocação,
quer a minha atenção.
Fui ver. A neve caía
do céu ora branco e reluzente,
e a gente quando passa,
cada passo imprime e traça,
na fofa camada do caminho.
Olho atenta esses sinais
e noto, por entre os mais,
Os traços mal definidos
duns pezitos de criança.
E descalçadinhos, gelados…
Posso ainda adivinhá-los,
primeiro, bem demarcados,
depois, começam a desaparecer,
pois a neve não os deixa ver.
Por onde andaria o pequenito
para padecer já este conflito,
de uns todos terem
e dos outros padecerem
de fome e de tanta dor?
Porque padecem assim?
E uma infinita tristeza
encheu o meu coração
Entra em mim,
fica em mim presa.
Cai neve na natureza.
Só me resta a oração.
Fazei, Senhor, que as criancinhas
sejam sempre acarinhadas.
São puras e pequeninas,
não as deixes maltratadas.
Põe o Homem a sofrer
a ver se juízo ganha,
para o planeta defender.
Que proteja cada borboleta,
dando asas a uma meta.
É o sopro de um voo que alerta.
Maria Teresa Portal Oliveira
(reservados direitos autorais)
Haverá Esperança?

Maria Teresa Portal Oliveira
A ALQUIMIA DAS PALAVRAS

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