Como e Quando Escrevo?

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quinta-feira, 4 de junho de 2026

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Este conjunto fotográfico lembra-me a minha secretária, completamente desarrumada. 

Disse, e já tenho dito várias vezes, que não sou organizada a escrever. Preciso de manuscrever tudo ou de fazer o que estou a fazer agora, a escrever diretamente no telemóvel. 

Mas este texto é uma reflexão a respeito da imagem que surgiu. 

A minha pseudo-desarrumação existe nos contos longos ou nos romances. Não planifico nada. 

Não faço plano, nem preparo personagens. Sai ao correr da pena. Às vezes, há um romance com personagens principais a mais, como o meu "Vidas Sofridas", que muita gente desatina para o ler. Não leram Saramago nem Gabriel Garcia Márquez nem Gunther Grass, todos prémios Nobel da Literatura. Longe de mim comparar-me a tais autores, mas foi para exemplificar a dificuldade de leitura. Fiz propositadamente essa amálgama de vidas tão sofridas, nomeadamente o de pôr duas dessas personagens - o Agostinho e o Augusto- com nomes que têm o mesmo étimo latino. 

E, já agora, tirando o frade e o cardeal, a maior parte das personagens são verdadeiras mas romanceadas. 

O mesmo se passa com as poesias. Saem de jato. Se gosto, continuo. Se não gosto, rasgo o papel e lixo. Às vezes, estou na sala com a televisão ligada, como ruído de fundo, e dou comigo rodeada de papéis espalhados pelo chão. Outras vezes, estou a ouvir música clássica e as poesias brotam já mais claras e sem precisar de grandes arranjos.

Muitas das vezes, as ideias surgem de noite. Por isso, tenho um caderno e um marcador debaixo do travesseiro. Se não escrever, por mais que repita, no dia seguinte foi-se. 

A maior parte dos contos infantis curtos são feitos de uma só vez. A mão já está treinada para escrever determinado número de palavras. A revisão é que é aborrecida. Cortar os que, de que usamos e abusamos, aligeirar as construções e retirar os intertextos (uma mania minha). Até a escrever sou professora. 

Na hora da Poesia, mesmo sem dar conta, sou influenciada por Camões (a pátria que me diz muito, termo fascista ou não), Fernando Pessoa e os seus heterónimos, Miguel Torga e os seus diários e o seu ateísmo carregado de religião e Sophia de Mello Breyner Andresen, com a qual partilho o mar e a terra. Ela tinha uma casa branca na duna , em A Menina do Mar, e eu tinha uma casa branca escondida na falésia no meu Segredos da Casa Abandonada. Ela tinha casa na Granja e eu fazia praia em Miramar, onde perto existe a Capelinha do Senhor da Pedra. 

E, se não parar, amanhã ainda aqui estamos. Vou mesmo fazer as minhas memórias ou partes. Algumas são para ficar eternamente enterradas.

Divirtam-se com a professora sobre a escritora.

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