Memórias Boas e Más

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

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Depois do café e já depois de ter trabalhado, fiz uma pausa e recordei uma das minhas maneiras favoritas de escrever - no café. 

Ainda hoje tenho essa mania, por isso os blocos de apontamentos que andam nas carteiras.

Como as ideias surgem quando menos se espera, tenho cadernos espalhados pela casa (e já me estou a repetir) e, para que as da noite não fujam, tenho o caderno debaixo da travesseira.

Mas, os meus escritos surgiram na sala das reuniões , contígua à sala dos professores, sei lá com quantas conversas cruzadas (fui delegada de Português 8 anos e representante de Português do 3 ciclo para onde fui 2 anos). E estou apenas a falar da EB23 das TAIPAS, onde passei 35 anos, os últimos 25 na direção, onde arruinei a saúde. Só regressei uma vez ao 1 ciclo para ir buscar uma turma "especial" que tinha de ter professores de pulso.

E não era à pancada, como já disseram. Era com um regulamento de turma rigoroso que os professores escolhidos a dedo não quebravam. Havia uma exceção,mas esse é meu amigo do peito e diz que ainda foram poucas as que lhe caíram. Tirava-me realmente do sério de que maneira. E orquestrava os outros. Terrível.

Mas já me perdi. Falava do meu amor em escrever nos cafés. Tenho uma ou duas personagens nos meus romances que foram baseadas em pessoas que eu observei no café. É um exercício fascinante. Olhar uma pessoa e observar-lhe os traços gerais, os tiques, inventar uma personalidade e através do que faz imaginar uma história.

Verdade que agora, com as máquinas de café, são poucas as que frequentam o café e demoram pouco. 

Apetecia-me lançar um desafio,mas descansem que não o lanço ou cai-me em cima. 

Com tanto seguidor, devo ter uns 300 que me seguem efetivamente. Refiro-me aos números que apareceram nos parabéns. 

Mais uma vez os agradeço e fiquei a saber que, quem eu pensava que seguia, afinal não segue, e, outros de que nunca vi comentário nenhum, afinal até seguem.

Assim sendo, peço a esses que me seguem pela calada, que ponham um gosto ou um coração. 

Já devem ter reparado que estou a escrever ao correr da pena, sem me preocupar muito com o que escrevo. É uma maneira de ocupar o pensamento e esquecer os problemas de saúde que voltaram a atacar. Também não é de admirar. Depois do ano que passei, muito dura sou eu. 

"Era uma vez um senhor que resolveu dar cabo da vida de uma senhora, que podia ser mãe dele. Ciúmes de quem não tem a mesma criatividade ou o mesmo poder de atravessar as faixas etárias. 

Ignorou conscientemente que a senhora foi durante vinte anos professora de escrita criativa, o que lhe forneceu uma grande capacidade de explorar as suas capacidades, mas principalmente as dos seus alunos, os melhores da escola, pois a oficina de escrita Criativa funcionava como clube de desenvolvimento da Língua Portuguesa. E, muitas vezes, os exercícios eram propostos pelos próprios alunos. E dessa oficina essa senhora reuniu um caderno com 66 exercícios de escrita criativa, que ficaram na mão desse senhor. 

Podia contar tantos episódios, mas basta-lhe contar a da última oficina que tinha alunos do 5 e do 9 ano, com interesses diferentes. Elas queriam desenvolver as capacidades do texto descritivo e do texto argumentativo, das capacidades discursivas. Eles queriam exercícios mais lineares para desenvolverem a escrita. Engraçado ver os olhos arreguilados dos pequenitos, quando a conversa descaía para temas que não eram para a sua faixa etária.

Posso dizer que ela foi uma professora que marcou pela positiva, de tal modo que a seguiram para o Rotaract Club de Caldas das Taipas e os mais pequeninos aguardaram os 12 anos para entrarem para o Interact Club de Caldas das Taipas."

Depois os clubes acabaram. Já viram que a professora sou eu ou fui eu. Que saudades tenho dessas aulas que eu dava no meu tempo, porque não era nas horas da direção, nem das das aulas, que tinha de as dar.  

Ainda voltarei ao tema. O lençol já está grande.

Obrigada por me aturarem. 

Respirei e despejei a saturação das ressonâncias magnéticas. 

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