O Planeta Queixa-se

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026


Há névoa nos olhos

e o mundo, lá fora, desfaz-se em bruma.

O coração anda magoado,

como se o céu chorasse connosco.

As ruas são rios improvisados,

as casas barcas sem rumo,

e os nomes das tempestades —

Kristin, Leonard, Marta, Nils —

soam a pessoas que batem à porta

sem pedir licença.

Cheias.

Inundações.

Depressões —

no mapa e dentro do peito.

Há gente sem casa,

mãos vazias,

olhares vazios procuram um amanhã

entre a lama e os destroços.

Há fome não só de pão,

de chão firme,

de segurança,

de colo.

Mas há braços estendidos.

Forças militares erguem pontes,

onde antes havia medo.

Vizinhos partilham o pouco.

Voluntários distribuem mantas

como quem distribui esperança.

A solidariedade cresce,

erva teimosa depois da tempestade.

E, por momentos,

a tristeza comunga com a natureza —

não como derrota,

mas como consciência.

O planeta queixa-se, é certo.

Grita em ventos fortes,

desaba em águas revoltas,

treme sob o peso do descuido humano.

Mas também ensina:

Depois da chuva,

há sempre mãos dadas.

Depois da queda,

há sempre quem levante.

E talvez seja isso a poesia —

a capacidade de, mesmo em dilúvio,

ainda acreditarmos

uns nos outros.

Maria Teresa Portal Oliveira

(reservados direitos autorais)

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