Há névoa nos olhos
e o mundo, lá fora, desfaz-se em bruma.
O coração anda magoado,
como se o céu chorasse connosco.
As ruas são rios improvisados,
as casas barcas sem rumo,
e os nomes das tempestades —
Kristin, Leonard, Marta, Nils —
soam a pessoas que batem à porta
sem pedir licença.
Cheias.
Inundações.
Depressões —
no mapa e dentro do peito.
Há gente sem casa,
mãos vazias,
olhares vazios procuram um amanhã
entre a lama e os destroços.
Há fome não só de pão,
de chão firme,
de segurança,
de colo.
Mas há braços estendidos.
Forças militares erguem pontes,
onde antes havia medo.
Vizinhos partilham o pouco.
Voluntários distribuem mantas
como quem distribui esperança.
A solidariedade cresce,
erva teimosa depois da tempestade.
E, por momentos,
a tristeza comunga com a natureza —
não como derrota,
mas como consciência.
O planeta queixa-se, é certo.
Grita em ventos fortes,
desaba em águas revoltas,
treme sob o peso do descuido humano.
Mas também ensina:
Depois da chuva,
há sempre mãos dadas.
Depois da queda,
há sempre quem levante.
E talvez seja isso a poesia —
a capacidade de, mesmo em dilúvio,
ainda acreditarmos
uns nos outros.
Maria Teresa Portal Oliveira
(reservados direitos autorais)
O Riso

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A ALQUIMIA DAS PALAVRAS

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