Julho/Agosto/Setembro de 2026
A bola rebola
Apanhou o carreiro
Desceu o ladeiro
E caiu no lago.
Veio todo lampeiro
O Quá-pato.
Quer brincadeira...
A bola cheirou
Do cheiro não gostou
Com o bico a bicou
E não a furou
Furioso, quaquajou
Qua-qua-qua-qua
Rodando, a bola rebolou
E no meio do lago ficou
Com a arte e uma vara
A mãe puxou-a para a margem
O João gostou
E logo começou
A dar pontapés...
E ficaram juntos os três.
Que bela imagem!
Maria Teresa Portal Oliveira
(LAVRA N.º 45, "Palmo e meio...", p. 49)
Permita-se florir
deixar as flores desabrocharem
e as pétalas dançarem pelo ar.
Permita-se sorrir.
Permita-se rir.
Deixar que as gargalhadas
se soltem - alegres e fartas.
Permita-se renascer
na beleza do anoitecer,
no deixar fluir da poesia
do mundo florido da magia.
Permita-se renascer.
Maria Teresa Portal Oliveira
(LAVRA N.º 45, "Momentos... Colheita Especial", p. 43)
7ª Coletânea Poética
Vivo o presente
Procuro seguir em frente
E tento pisar pegadas das manhãs enovoadas
O futuro... Não o conheço
Por isso padeço
Quem me dera adivinhar
O que a vida tem para me dar
Cruzando o espaço, o ar
O passado já não o tenho
Recordações enterradas no litoral nortenho
Algumas fotos a preto e branco
Que revejo calmamente sentada no banco
Olhando o mar e as ondas alterosas
Escrevendo metaforicamente
Versos e Prosas
Maria Teresa Portal Oliveira
(7ª Coletânea Poética Conta-me Coisas — Louvor à Memória, "Versos e Prosas", p. 51)
Poeta Eduardo Roseira apresenta a sua nova coletânea poética Conta-me Coisas — Louvor à Memória no programa da Dra. Conceição Lima "Hora da Poesia", na Rádio Vizela, sendo apresentados e lidos alguns dos poemas da obra, um deles da minha autoria "Versos e Prosas" (p. 51)
Abril/Maio/Junho de 2026
As asas do petiz
voaram de madrugada,
cruzaram-se com a perdiz,
seguiram a passarada
Céu de negrume pintado.
Asas de morcego alado
Lua cheia desamarrada
da igualdade irmanada
Asas de papel e penas
Asas de fadas bordadas
Voam e dobram esquinas
Das portuguesas quinas
Asas da liberdade conquistada
Em abril com flores perfumadas
O cravo vermelho, asa da liberdade
Sem tiros, para a paz conquistada.
Maria Teresa Portal Oliveira
(LAVRA N.º 44, "Poemas de...", p. 27)
O riso sorriu,
de esguelha se abriu.
Impôs -se na face tristonha,
sem pedir licença.
Mãos invisíveis puxaram
os músculos do rosto
e, de súbito, ela olhou o sol
- e percebeu: estava lá.
Por dentro da janela,
havia calor,
apesar do frio violento
que gritava lá fora.
Recordou instantes alegres,
memórias de riso fácil,
e então riu -
não obrigada,
mas com gosto.
Maria Teresa Portal Oliveira
In: “O Espaço dos Versos”
Ed. AS-Agência de Marketing e Comunicação para Autores, 2025
(LAVRA N.º 44, "Aconselhamos...", p. 40)
Novo ciclo.
Tudo recomeça.
Um novo bloco abre-se
para anotar ideias
no livro invisível do tempo.
Entrelaçam -se palavras e notas,
folhas e pautas flutuam no ar.
Versos livres ou rimados
caem como pétalas do céu,
suaves, lentos, necessários.
Canções antigas despertam...
A poesia melancólica
diante do mundo que nasce.
Manhã oferecida,
pétalas perfumadas,
despe a roupagem cansada do ser.
Vestir o branco da beleza,
neve fina e fofa
sobre um coração atento.
O rio passou -
cantaste quadras, trovas, estrofes
na margem sensível do sentir.
Mulher-estrela, mulher-borboleta:
luz e voo no mesmo gesto.
Que as águas tornem a subir nos rios,
que se cumpram desejos esquecidos.
Voltar a sentir o amor.
Novo ciclo.
Tudo recomeça outra vez.
Maria Teresa Portal Oliveira
(LAVRA N.º 44, "Museu e Rimas", p. 41)
A Alquimia das Palavras
Maria Teresa Portal Oliveira
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