Incrédula, olhava o palácio no meio dos montes, cujo brasão no magnífico portão de ferro trabalhado mostrava os pergaminhos. Uma noite num palácio.
O programa indicava que, nessa noite, havia um jantar de cerimónia. Com quem? «Com a Bela Adormecida e o seu príncipe», pensei.
O mordomo esclareceu as pessoas que, nas guerras napoleónicas, a família yinha perdido o palacete. A câmara municipal da cidade, cujo burgo remontava à criação da nacionalidade, tornara-o turismo de habitação, responsabilizando-se pela remodelação, sem estragar o belo e o antigo.
Naquela noite estival, saí para o exterior, onde a piscina e o lago atraíam os turistas privilegiados, sob um lençol polvilhado de miríades de estrelas.
Era mágica, encantada pelo canto das cigarras e o pisca-pisca dos pirilampos e pelos vestidos claros das senhoras para o jantar requintado.
Comecei a sentir uma sensação palpável de uns olhos acariciadores, que massajavam os meus ombros doridos, onde se concentrava o stresse acumulado.. Observava-me do lado do terraço, encostado a uma das colunas, que segurava a vinha em latada, cobertura do lago.
Durante as entradas, aquele olhar, um íman poderoso, fez-nos caminhar um para o outro até nos juntarmos. Os olhos cinzentos (dele) e verdes (meus) falavam o que as bocas não pronunciavam. Sorriam-se desafiadores e confessavam segredos.
Apresentou-se «Pedro» e eu apenas pronunciei «Inês«. Soltámos uma gargalhada bem-disposta pela coincidência. Seguiu-se um devaneio sobre um amor famoso, infeliz e histórico.
Ficámos na mesma mesa, iluminada por velas. A Cidália, a minha companheira, juntou-se a um casal inglês, encantados com aquela guia turística excecional.
As bocas degustaram. Os olhos enrolavam-se numa paixão frenética. Depois das entradas, veio o javali assado e as aves de caça. Comi com gestos mecânicos, porque os olhos não se desgrudavam.
Seria um feiticeiro, habitante daquele local ermo, de tão rara beleza, que mão humana não arruinara?
Interessado(a)? Podes ler o conto completo aqui.
A vida espera, escondida a larva no casulo duro
Com muitas dores surgem belas cores
Suaves suspiros, segredos de amores
A crisálida transformou-se no lugar escuro
Assim surgiu a mulher, risonho futuro
Novo alvorecer em ciclos de variados teores
Encontra-se em labirintos maiores, menores
A borboleta pura, o animal maduro
Ei-la que surge em plena pujança
Sonhos como asas, leves e suaves
Beleza bravia enfrenta a vida com esperança
Ah! Mulher de hoje, livre e corajosa
Borboleta bela, sempre vistosa
És portuguesa e disso orgulhosa


A Alquimia das Palavras
Maria Teresa Portal Oliveira
Links Rápidos
Siga-me
Newsletter
Receberás notícias minhas regularmente!
© 2021 | Maria Teresa Portal Oliveira
© 2021 | Maria Teresa Portal Oliveira I Política de Privacidade | Termos & Condições