Apoiemos a Seleção
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Não percebo nada de futebol. Vejo o jogo mais pelo lado humano do que pelo lado tático. Ainda assim, estamos na final do Campeonato do Mundo e isso, por si só, já merece ser vivido com entusiasmo. A escolha da Califórnia como palco deste momento histórico terá sido apenas coincidência? Um lugar associado a sismos e, no imaginário de muitos, a fenómenos extremos, acaba por contrastar com aquilo que se espera de uma final: estabilidade emocional, concentração e cabeça fria. E foi logo a nossa equipa que ali ficou, a melhor em elementos que a constituem? Começaram logo por não fazer o primeiro treino por perigo de sinais atmosféricos adversos.
E depois há outra coisa que me intriga: por que motivo continuam tantas pessoas a implicar com o Ronaldo? Ontem li um artigo de um comentador que dizia que o Ronaldo dos 40 já não é o Ronaldo dos 20. Seria estranho se fosse. Naturalmente que não é, mas que tem o seu lugar na equipa por mérito e não por mero usufruto do seu nome pelos dirigentes, dizia ele e muito bem. Um outro espanhol foi vê-lo para confirmar que ele era mesmo assim, não era montagem de Photoshop. O tempo passa para todos e o corpo muda, mas isso não apaga aquilo que foi construído ao longo de mais de duas décadas.
Reduzir um percurso desta dimensão apenas ao que já não conseguirá provavelmente fazer é injusto. É olhar por uma bola de cristal e tentar adivinhar o inadivinhável. O Ronaldo de hoje talvez tenha menos velocidade ou outra capacidade física, mas traz experiência, liderança, presença e uma história que poucos atletas no mundo conseguiram escrever. Há momentos em que o valor não está apenas nos golos ou nos números.
Se este for realmente o último grande campeonato que disputa com as cores de Portugal, então talvez faça sentido olhar para isso com outro espírito. Não como um ajuste de contas permanente ou uma contagem de falhas, mas como o encerramento de um ciclo extraordinário.
Já haverá pressão suficiente dentro do grupo, nervos próprios de quem sabe que está perante uma oportunidade única.
Nesta fase, mais do que procurar divisões, talvez o que faça sentido seja apoiar quem lá está. Torcer pela equipa, acreditar e criar um ambiente de confiança. Lembro-me do que Scolari fez no Euro 2004, quando apelou às bandeiras nas janelas e varandas. Havia ali uma ideia simples mas poderosa: fazer sentir à equipa que um país inteiro estava presente.
No fim, ganha-se ou perde-se. Mas aquilo que fica é a forma como acompanhámos o momento. Por isso, que se ponham as bandeiras ao vento e que se envie, através dos ares e desse sentir português tão particular, toda a energia positiva possível para a seleção. Porque chegar até aqui já é motivo de orgulho — e viver este momento unidos será sempre melhor do que o fazer em ruído.
A minha bandeira já está ao vento e é bem grande. Sou portuguesa, tenho muito orgulho nisso e só espero que, desta vez, Portugal ganhe o Campeonato do Mundo e o Grande Homem possa juntar mais esse título a todos quantos ganhou.
A Poetisa Esteve Amordaçada...

Maria Teresa Portal Oliveira
A ALQUIMIA DAS PALAVRAS

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