Uma Tarde Reconfortante

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domingo, 11 de janeiro de 2026

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Mergulhada na escrita, abstraída do ruído da estrada, ouve os acordes da 5ª Sinfonia de Beethoven. O "pam-pam-pam-pam" do primeiro movimento abre uma das mais famosas composições da História, e, descobriu-se agora, é capaz de matar células tumorais — em testes de laboratório. 

Que é apaziguadora é. Parece desenhar, fazer um esboço de algo no espaço.

Absorta, pensa talvez na infância em que fazia cópias e comboios de palavras; nas boas notas de Desenho, principalmente desenho à vista; nas férias que tinha passado a desenhar bonecos copiados fielmente de qualquer lado (que, mais tarde, utilizaria nas aulas de Inglês, em acetatos, no retroprojetor, para descrever uma pessoa).

 

Essa capacidade inata nunca tinha sido desenvolvida, porque outros interesses tinham surgido...

Hoje, arrepende-se de não a ter exercitado. 

Seria escritora e ilustradora das próprias histórias.

Pensa talvez na vida que a afastou do Porto, cidade natural e amada, e na História a ela ligada. 

O Infante D. Henrique que aí nasceu, de que fala a Mensagem de Pessoa e ouve-se a recordar uns versos : Em seu trono entre o brilho das esferas,/Com seu manto de noite e solidão,/ Tem aos pés o mar novo e as mortas eram —/ O único imperador que tem, deveras,/ O globo mundo em sua mão.

E continua com o esboço.

A ruga, que surge intempestivamente na testa, diz que pensamentos desagradáveis se tinham imposto. Porém, rapidamente os afasta. 

Aumenta o volume da sinfonia e a calma volta a descer no rosto, onde nasce um sorriso indelével. Relembra o nascimento do primeiro filho, o dia mais feliz da sua vida, porque tinha alcançado um dos seus objetivos – SER MÃE – e outros dias felizes...

Se tivesse dado um cinco àquele miúdo, mas aos vintes, pensa-se poder compor o mundo e lida-se com a intransigência E aqueloutro que a adorava, porque entrava a sorrir nas aulas e assim saía, e a turma, a única turma da escola que saiu durante quatro dias, numa visita de estudo, no final do ano, que tinha percorrido o país de Guimarães a Faro numa correspondência trienal, do 7º ao 9º ano. No 7º, tinham vindo eles ao Norte, no 8º, tinham ido eles ao Algarve e, no 9º, iam reunir-se na Serra da Estrela e assim aconteceu, com a diferença de uma semana, porque, na outra escola, a diretora de turma tinha mudado. O desgosto dos alunos!

Não havia telemóveis nem computadores, que davam os primeiros passos com o GEM. Mete disquete para arrancar e mete disquete para trabalhar.

Bons tempos. 

Respirou fundo e «acordou».

Nas mãos, o esboço de uma pessoa. Ela própria sem ter nenhum retrato à frente. De memória. Talvez umas aulas de pintura a despertasse. Sorriu...

Quem sou eu? O seu pensamento, claro...

(Desenho do chapGPT)

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