Jurei Que Nunca Mais Seria Professora
Jurei Que Nunca
Mais Seria Professora
O Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) é um acordo entre países de língua portuguesa que tem como objetivo unificar a ortografia do português, tornando a escrita mais semelhante entre os países que usam este idioma. E não me perguntem por que razão continua tudo tão diferente.
Em Portugal, o Acordo Ortográfico de 1990 começou a ser aplicado obrigatoriamente de forma faseada nas escolas a partir de setembro de 2011 (ano letivo 2011/2012), tornando-se totalmente obrigatório em todos os manuais, provas e exames escolares até 2014/2015.
Estiveram 21 anos a discutir se avançava ou não. E avançou, sem nada perguntarem aos professores e depois de nos obrigarem a fazer não sei quantas ações de formação acreditadas.
Cronograma nas Escolas
• Ano letivo 2011/2012: Início da obrigatoriedade de adoção da nova grafia nos novos manuais escolares e no ensino básico e secundário.
• Período de transição (2011–2014): Substituição progressiva dos manuais antigos à medida que novos eram adotados ou reimpressos.
• Ano letivo 2014/2015: Prazo limite em que a totalidade dos novos manuais escolares e avaliações externas passou a cumprir integralmente o acordo
De forma reduzida:
• Foi assinado em 1990.
• Entrou em vigor gradualmente nos países lusófonos.
• Eliminou algumas consoantes mudas (ex.: acção → ação, óptimo → ótimo), em Portugal, mas, no Brasil, manteve-se o óptimo, porque pronunciam o p. Já em facto mantivemos o c, porque o pronunciamos, no Brasil, utilizam fato.
• Manteve as diferenças de pronúncia e vocabulário entre os países lusófonos.
Sim. Além da eliminação de algumas consoantes mudas, o Acordo Ortográfico de 1990 introduziu outras alterações importantes:
• Hífen: mudaram várias regras (ex.: anti-inflamatório mantém o hífen, mas autoescola perde-o).
Regra Prática
Quando um prefixo termina em vogal:
Prefixo + palavra Resultado
auto + retrato autorretrato
mini + saia minissaia
anti + religioso antirreligioso
micro + sistema microssistema
contra + regra contrarregra
Se a palavra seguinte começa por “r” ou “s”, normalmente duplica-se a consoante.
Mas há uma regra importante: se a palavra seguinte começa pela mesma vogal com que termina o prefixo, usa-se hífen:
• auto + observação → auto-observação
• micro + ondas → micro-ondas
• anti + inflamatório → anti-inflamatório
E, em muitos outros casos, não há hífen:
• auto + escola → autoescola
• infraestrutura → infraestrutura
• antiaéreo → antiaéreo
• Consoantes mudas (agora facultativas):
o característica ou caraterística
o aceção ou acepção
o espetáculo
• Variações de ditongos e vogais:
o louro ou loiro
o louça ou loiça
o cota ou quota
o bêbado ou bêbedo
• Outras palavras frequentes:
o catorze ou quatorze
o assoviar ou assobiar
o infarto ou enfarte
o estada ou estadia
o stresse ou estresse
• Acentuação: alguns acentos deixaram de ser usados, como em pára (verbo) → para e idéia (Brasil) → ideia e comboio.
• Alfabeto: passaram a integrar oficialmente o alfabeto as letras K, W e Y, ficando com 26 letras.
• Maiúsculas e minúsculas: houve alterações em alguns casos, como nomes de meses e estações do ano, cujo uso de maiúsculas passou a ser mais flexível. Passamos a escrever com minúsculas.
• Dupla grafia: em certas palavras, passaram a ser aceites duas formas, respeitando as diferentes pronúncias dos países (por exemplo, facto em Portugal e fato no Brasil, quando têm significados equivalentes).
Em resumo, o AO90 alterou as regras relativas às consoantes mudas, ao hífen, à acentuação, ao alfabeto e ao uso de maiúsculas, procurando aproximar a escrita do português nos diferentes países lusófonos.
Objetivo principal: facilitar a comunicação escrita e promover uma ortografia comum para todos os países de língua portuguesa.
Facilitou? Não. E eu tive de socorrer-me da IA e do CIBERDÚVIDAS para fazer esta sarrabulhada toda. Ficaram a perceber?
Talvez não.
Eu também não tenho vontade de voltar a este tema que me deu cabo da cabeça há 25 anos.
O Acordo Ortográfico foi determinado para todo o Governo e para os serviços, organismos e entidades sob a sua dependência.
A decisão foi tomada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, que estabeleceu que, a partir de 1 de janeiro de 2012, o Acordo Ortográfico seria aplicado:
aos atos e decisões do Governo;
às normas, orientações e documentos;
às publicações e comunicações, internas e externas;
aos serviços e organismos dependentes do Governo;
e ao próprio Diário da República.
Portanto, Finanças, Justiça, Saúde, Defesa, Administração Interna, Cultura, etc. não tinham uma regra diferente da Educação. A Educação teve uma disposição específica porque o Acordo também foi aplicado ao sistema educativo a partir do ano letivo 2011-2012, incluindo os manuais escolares.
Uma questão se coloca: se é obrigatório, por que razão há comunicação social que não o utiliza? Porque é que as legendas não utilizam o acordo.
Isto já é pura ignorância, mas ouve-se a muito boa gente:
Dariam-lhe, em vez de dar-lhe-iam, respeitarei-os em vez de respeitá-los-ei. Erros de palmatória.
Ficará para um outro dia, em que a professora resolva dar um encontrão à escritora.
Boas leituras. Será uma boa maneira de não dar erros.
Memórias Boas e Más

Maria Teresa Portal Oliveira
A ALQUIMIA DAS PALAVRAS

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