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quarta-feira, 6 de novembro de 2024
quarta-feira, 6 de novembro de 2024
Era uma vez, na Terra da Fantasia, um feiticeiro muito infeliz, pois ignorava quem eram os seus progenitores e todos o olhavam de lado, porque a profecia dizia que seria O GUARDIÃO DA TERRA DA FANTASIA, quando os homens destruíssem o planeta.
Embora ele visse que, infelizmente, essa realidade se aproximava a passos agigantados, resolveu que tinha de tentar tudo para impedir que tal acontecesse. Tudo menos ser o Guardião.
Um dia, sobrevoava a Terra da Fantasia, onde o outono era muito mais colorido do que o da Terra, quando encontrou uma pedrinha muito brilhante. Apanhou-a, e reparou que era repleta de cores como uma árvore de Natal.
Algo premonitório esta associação ao Natal? Estaria relacionada com a busca das suas origens?
Pegou-lhe, mirou-a e os seus olhos perderam-se em cidades, montanhas, magotes de gente.
Queria ver a realidade e não ser influenciado por uma pedrinha com poderes. Guardou-a no bolso, envolta num tecido opaco. Ainda assim, os brilhos espalharam-se pelo seu corpo e um odor intenso percorreu os ares. Perdeu a noção das horas e do espaço.
Era outro lugar montanhoso, arborizado, uma neblina cerrada que o sugava...
No começo, ainda articulou:
― Onde é que vim parar?
Vou tentar enganar esta corrente esfomeada que me quer arrastar na enxurrada!
De névoas, nada li, conheço, percebo ou sei... não tenho outro remédio… a minha boca calarei... Ai quando eu puder, irei a minha pedrinha acionar...
Mas, quando as mãos, na sacola imaginária, meteu, percebeu, desesperado, que o seu recurso desaparecera.
O intenso cheiro tratara-lhe do desmaio. Um raio amarelo, acentuadamente dourado, teve dó do visitante. Aqueceu-o, enquanto umas mãos gigantescas, de força e de leveza equipadas, foram colocá-lo debaixo da árvore dominante.
O conforto fez-lhe abrir os olhos.
A pedrinha que não encontrara piscava agora em direção aos frutos vermelhos com fios dourados. Lembraram-lhe o Natal num mundo distante, e que nunca tivera, mas que lhe permaneceria na memória.
― Como lamento não ter lido tudo que falava a profecia.
Uma lágrima deslizou e transformou-se em pérola gigantesca. Lá dentro, vislumbrou um bailado de cores e de luzes, como se guardasse em si um mundo escondido. De repente, a memória do Natal cintilante voltara. Observando com mais atenção, sorriu diante de uma delicada cidade de cristais cintilantes.
No centro novamente uma árvore colossal que, subitamente, parecia querer embrulhá-lo num caloroso abraço de esperança. Cada gota de orvalho que caía sobre as suas folhas trazia sorrisos, desassossegos, promessas sussurradas ao luar. Deixou-se abraçar e também ele quis abraçar a árvore para sentir a seiva da vida.
Num ímpeto, libertou um grito profundo das entranhas:
— Caiam todas as lágrimas que em mim houver e sejam sementes de esperança.
A árvore respondeu ao seu grito de dor e esperança, libertando uma brisa suave e perfumada que acariciou o rosto do feiticeiro, secando-lhe as lágrimas.
Ao mesmo tempo, com o abraço da árvore, o feiticeiro sentiu dentro de si as energias do Natal e da esperança. Percebeu que as duas terras — Terra e Terra da Fantasia — estavam conectadas, mas precisavam de alguém para restaurar a harmonia entre elas.
Nisto, deu conta de uma presença ao seu lado. Era um velho de olhos profundos com longas barbas brancas que reluziam com o mesmo brilho das folhas da árvore.
O ancião colocou-lhe uma mão no ombro e disse:
― Só quem conhece o verdadeiro valor da dor pode semear a esperança. És mais do que o Guardião profetizado; és o próprio início da renovação
― Por que dizes isso? Mas… e os meus pais?
O velho sorriu e apontou para a árvore.
― Os teus progenitores estão contigo desde o início. És filho da Terra da Fantasia, nascido de todas as histórias, esperanças e medos que já existiram. És a chave do recomeço. Protegerás o mundo da destruição.
Nesse momento, o feiticeiro aceitou o seu destino, a sua missão de Guardião da Terra da Fantasia.
E logo, por magia, a neblina cerrada dissipou-se e abriu-se uma passagem entre os dois mundos.
Todos os seres, tanto do seu mundo quanto da Terra, começaram a sentir uma ligação inexplicável, um desejo quase impulsivo de cuidar do planeta.
O feiticeiro, agora em paz, observa o crescimento de uma nova era, onde todos trabalham em harmonia com vista à criação de um mundo melhor.
O Outono Chegou

Maria Teresa Portal Oliveira
A ALQUIMIA DAS PALAVRAS

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